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terça-feira, 2 de dezembro de 2014

A guerra dos farrapos


A guerra dos Farrapos Também conhecida como Revolução Farroupilha, foi o mais importante conflito regencial. Teve uma duração de 10 anos (1835 – 1845) e a paz só chegou no governo do imperador D. Pedro II.
Em meados de 1835 o desgaste político no Rio Grande do Sul era evidente. O descontentamento de estancieiros, liberais, industriais do charque e militares locais promoviam reuniões em casas de particulares, destacando-se a figura de Bento Gonçalves. No mesmo ano, Antônio Rodrigues Fernandes Braga,fora nomeado como presidente da Província que chegara ao posto pela indicação de Bento Gonçalves e, apesar de ser rio-grandense, passara tanto tempo servindo o Império na Europa e nos Estados Unidos, logo após seus estudos em Coimbra, que não tinha laços suficientemente sólidos estabelecidos no Rio Grande.Fernandes Braga, apesar de inicialmente ter agradado aos liberais, logo entrou em atrito. Na sessão inaugural da Assembleia Provincial em 22 de abril, perante uma plateia majoritariamente hostil, acusou os liberais extremados de planejarem separar o Rio Grande do Sul do Império e uni-lo ao Uruguai.O presidente da província, secundado pelo comandante das armas Sebastião Barreto Pereira Pinto, mencionava Bento Gonçalves e referindo-se também a Lavalleja e ao seu mentor, o indigno Padre Caldas . Houve protestos e contra-protestos nas acaloradas sessões seguintes, Fernandes Braga ainda tentou corrigir-se e apaziguar os ânimos, mas já era tarde demais.A discussão também seguia na imprensa, de maneira muitas vezes violenta e extremada.
Na noite de 18 de setembro de 1835, em uma reunião onde estavam presentes José Mariano de Mattos (um ferrenho separatista), Gomes Jardim (primo de Bento e futuro presidente da República Rio-Grandense), Vicente da Fontoura (farroupilha, mas anti-separatista), Pedro Boticário (fervoroso farroupilha), Paulino da Fontoura (irmão de Vicente, cuja morte seria imputada a Bento Gonçalves, estopim da crise na República), Antônio de Sousa Neto (imperialista e farroupilha, mas que simpatizava com os ideais republicanos) e Domingos José de Almeida (separatista e grande administrador da República), decidiu-se por unanimidade que dentro de dois dias, no dia 20 de setembro de 1835, tomariam militarmente Porto Alegre e destituiriam o presidente provincial Antônio Rodrigues Fernandes Braga.

Os objetivos 

A Revolução farropilha tinha como objetivo:
Pagar menos impostos e que o governo central aumentasse as taxas alfandegárias sobre o charque (carne-seca), o sebo e o couro;
A carne de charque, além de ser o principal alimento dos escravos e dos pobres, também era o principal produto da economia gaúcha.
Os comerciantes do sudeste (dominados pelos latifundiários do centro e norte) compravam charque mais barato do Uruguai e da Argentina. Os uruguaios e argentinos vendiam barato, porque a mercadoria era produzida com mão-de-obra livre.
Os fazendeiros gaúchos que pagavam maiores impostos do que os estrangeiros sofriam com a concorrência.
Por causa dos impostos, a classe dominante do Rio Grande do Sul apoiava os ideais dos federalistas (chamados de farroupilhas) que queriam diminuir o poder do centro e aumentar a autonomia provincial.
Em 1834, nas eleições para assembléia provincial, os federalistas eram a maioria e isso dificultou as relações com o presidente da província (nomeado pelo imperador).
O exército da revolução foi comandado por Bento Gonçalves,formado por fazendeiros e peões em pouco tempo as forças farropilhas ocuparam Porto Alegre iniciando a guerra.
Retrato de Bento Gonçalves, século XIX. Acervo do Museu Júlio de Castilhos

O governo imperial, então, convocou Luis Alves de Lima e Silva (Duque de Caxias) para combater e derrotar os farroupilhas.
O Rio Grande do Sul se rendeu; mas, conseguiram que as taxas alfandegárias sobre o charque fossem aumentadas.

Garibaldi liderando a expedição à Laguna (Lucílio de Albuquerque).

A revolução, que com o passar do tempo adquiriu um caráter separatista, influenciou movimentos que ocorreram em outras províncias brasileiras: irradiando influência para a Revolução Liberal que viria a ocorrer em São Paulo em 1842 e para a revolta denominada Sabinada na Bahia em 1837, ambas de ideologia do Partido Liberal da época. Inspirou-se na recém findada guerra de independência do Uruguai, mantendo conexões com a nova república do Rio da Prata, além de províncias independentes argentinas, como Corrientes e Santa Fé. Chegou a expandir-se à costa brasileira, em Laguna, com a proclamação da República Juliana e ao planalto catarinense de Lages.

Referências:

Day, Peter (17 de dezembro de 1997). Guerra dos Farrapos Brasil Escola.
Souza, Rainer (20 de janeiro de 2002). Revolução Farroupilha RioGrande.
Informações sobre os primórdios da capital Brasil Escola (30 de março de 2004).
Santanna, Miriam (9 de março de 2008). República Rio Grandense Infoescola.
HARTMAN, Ivar : Aspectos da Guerra dos Farrapos .Feevale, Novo Hamburgo, 2002, ISBN 85-86661-24-4, 148 pp. Edição eletrônica
SANT'ANA, Elma, "Bento e Garibaldi na Revolução Farroupilha", Caderno de História, nº 18, Memorial do Rio Grande do Sul. Edição Eletrônica.
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